Você canta um pouco, e a gente escuta onde sua voz fica confortável, sem levar a voz ao limite.
Baseado em pesquisa em fonoaudiologiaSem forçar a vozNada é gravado nem enviado
Antes de começar
Um minuto de preparo.
O teste procura a região onde você canta com facilidade. Ninguém precisa alcançar nota difícil.
!
Hoje não, se…você estiver rouco, com dor ao falar ou engolir, gripado ou com a voz cansada. Nesses dias a voz soa mais grave e o resultado sai errado. Se a rouquidão durar mais de 2 semanas, procure um otorrino ou fonoaudiólogo.
◐
Lugar silenciosoSem TV, ventilador ou música tocando. Segure o celular a cerca de um palmo da boca.
≈
Volume de conversaCante como se fosse para alguém ao seu lado. Volume alto não melhora o resultado e cansa a voz.
◡
Um gole de águaAjuda a voz a responder melhor.
Comparar com quais naipes? (opcional)
Em "Detectar", a sua voz falada decide. Dá para trocar depois, no resultado.
Notas à mão
Informe as notas.
Para o regente que já testou a voz da pessoa ao piano. Use as notas que ela canta com conforto, não as extremas.
Naipes
Opcional, mas melhora bastante o resultado:
Notação científica: Dó4 (C4) é o Dó central do piano, que muitos materiais brasileiros chamam de Dó3.
–
cante ou fale algo
afinação
volume
Toque quando estiver pronto
✓
Resultado
Seu naipe provável
–
Sua região confortávelRegião típica do naipe
No teclado
Onde sua voz moraConfortávelCentro
Onde sua voz mora–metade central do que você cantou
Centro confortável–
Do grave ao agudo, com conforto–
Voz falada (média)–
Afinidade com cada naipe
O que isso significa
Para confirmar com seu regente
Timbre e passagem de registro. São critérios clássicos da classificação vocal que um microfone de celular não mede bem. Peça para seu regente ou professor ouvir você.
Cante no naipe por algumas semanas. Se no fim do ensaio sua voz estiver cansada, rouca ou "apertada", o naipe pode estar alto ou baixo demais para você.
A voz muda. Na adolescência (principalmente nos meninos), com treino e com a idade. Vale refazer o teste de tempos em tempos.
Seus testes anteriores
Salvos só neste aparelho. Refaça a cada algumas semanas para acompanhar sua voz.
A ciência por trás
Como o teste funciona.
O que define um naipe
Não existe um método único e universal. Os manuais de regência coral e a literatura de pedagogia vocal costumam usar cinco critérios: extensão (todas as notas que a pessoa alcança), tessitura (a região onde ela canta com conforto e melhor qualidade), timbre, passaggio (as notas onde a voz muda de registro) e a altura da voz falada1,2. A tessitura é central: cantar fora dela por muito tempo leva à fadiga vocal3.
A extensão sozinha não serve. Num estudo com 80 cantores de coros evangélicos amadores, os autores concluíram que a extensão vocal não é suficiente para classificar a voz7. Na fonetografia de coristas profissionais, os limites graves de barítonos e baixos foram praticamente iguais6.
O que este teste mede, e o que não mede
Critério
No teste
Peso
Tessitura
Você canta uma música no seu tom
Principal
Extensão confortável
Grave e agudo que você repete com o piano, sem esforço
Alto
Voz falada
Média da sua fala
Baixo (apoio)
Timbre
Não medido
Seu regente
Passaggio
Não medido
Seu regente
Por que a voz falada pesa pouco: a frequência da fala tem relação com o naipe, mas estudos com cantores mostram que ela serve só como ferramenta auxiliar e não separa bem tenores de barítonos4,5.
Por que não medimos o passaggio: mesmo com software clínico e duas fonoaudiólogas analisando, um estudo brasileiro só conseguiu identificar a nota de passagem em no máximo 30% dos coristas8.
Por que pedimos uma música no seu tom: quando as pessoas escolhem o tom sozinhas, a nota mais grave da música fica cerca de 5 semitons acima do limite grave delas, e o quarto mais agudo da extensão quase nunca é usado9. Ou seja, cantar livremente leva a voz naturalmente para a região confortável, que é exatamente o que queremos medir.
Como protegemos sua voz
Os testes clínicos de extensão pedem a nota mais aguda e mais grave possível, "independentemente do esforço"7. Aqui é o oposto: você para onde fica difícil.
No grave e no agudo, o piano toca a nota e você só repete. Não precisa saber teoria nem o nome das notas. A nota anda uma tecla por vez, e você para quando quiser, no botão "Ficou difícil".
Só conta uma nota sustentada por pelo menos 1 segundo, e vale a nota que você realmente cantou. Um "escapulido" rápido e forçado é ignorado, então não adianta empurrar. O teste nunca pede nada abaixo de Mi2 (E2) nem acima de Sol5 (G5).
Aquecimento com "mmm". É um exercício de trato vocal semiocluído, bem estudado na voz cantada11, e o "m" é um dos que produzem menos pressão na boca12.
Vogal "ô" para os graves e "á" para os agudos, como em estudos com coristas brasileiros7. A vogal /a/ é a que dá mais facilidade na região aguda19.
Aviso automático quando o volume sobe demais. Se doer ou apertar, pare14. Rouquidão ou dor por mais de 2 semanas pede avaliação profissional13.
Como calculamos
A detecção de nota usa o algoritmo YIN16, que roda direto no seu aparelho. Nada é gravado nem enviado. Medidas de frequência fundamental feitas com celular têm boa concordância com sistemas de referência17.
Combinamos três medidas num centro confortável: a mediana da música (50%), o ponto médio entre seu grave e agudo confortáveis (35%) e a fala deslocada para a região do canto (15%). A fala costuma ficar na parte de baixo da extensão10. Depois comparamos esse centro e a sua faixa confortável com a região típica de cada naipe num coral SATB. A afinidade aumenta quanto mais perto está o centro e quanto mais da região do naipe cabe na sua faixa confortável.
Naipe
Região típica usada
Soprano 1
Mi4–Sol5 (E4–G5)
Soprano 2
Dó4–Mi5 (C4–E5)
Contralto 1
Lá3–Ré5 (A3–D5)
Contralto 2
Fá3–Si4 (F3–B4)
Tenor 1
Mi3–Lá4 (E3–A4)
Tenor 2
Dó3–Fá♯4 (C3–F♯4)
Barítono
Lá2–Mi4 (A2–E4)
Baixo
Mi2–Dó4 (E2–C4)
Faixas aproximadas para coros amadores, derivadas das extensões e tessituras corais descritas em manuais. Há sobreposição de propósito: vozes vizinhas compartilham notas.
Notação. Usamos a notação científica, em que o Dó central (261,6 Hz) é C4. Muitos materiais brasileiros chamam essa mesma nota de Dó38. Por isso o teste mostra o nome da nota (Dó, Ré, Mi…) junto com a notação internacional entre parênteses.
Limitações
O resultado é uma direção, não um diagnóstico. A palavra final é de quem ouve você cantar.
Adolescentes em muda vocal: a voz masculina muda em etapas durante a puberdade15, então o resultado é provisório.
Gripe, cansaço, horário (de manhã a voz costuma estar mais grave) e ambiente barulhento alteram a medida.
Cantores de igreja amadores relatam com frequência queixas vocais e dificuldade com agudos18. Se isso é você, um fonoaudiólogo pode ajudar muito.
Referências
Reneau AC. Determining basic voice classification of high school choir students. Dissertação, University of Texas at El Paso, 2008. link
Dillon AH. Female voice classification and the choral director (cita Doscher, 1994). Canadian Journal for Traditional Music / Singing. link
Cotton S. Voice classification and Fach: recent, historical and conflicting systems of voice categorization. Tese (DMA), UNC Greensboro, 2007. link
Nam DH, Choi HS. Differences in speaking fundamental frequency for voice classification and closed quotient between speaking and singing. Phonetics and Speech Sciences, 2008. link
Chernobel'skiĭ SI. [The speaking fundamental frequency and the singing voice type]. Vestn Otorinolaringol, 2010. PubMed 21311458.
Camargo TF, Barbosa DA, Teles LCS. Características da fonetografia em coristas de diferentes classificações vocais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2007;12(1):10-7. doi
Costa PJBM, Ferreira KL, Camargo ZA, Pinho SMR. Extensão vocal de cantores de coros evangélicos amadores. Rev CEFAC. 2006;8(1):96-106. pdf
Cardoso NSV, Brito TCS, Gomes AOC. Nota de passagem no perfil de extensão vocal de coristas: estudo preliminar de frequência e intensidade. CoDAS. 2023;35(4):e20200266. link
Lennes M, Toivola M. Pitch distributions in a very large corpus of spontaneous Finnish speech. Interspeech, 2023 (revisão citando estudos de tessitura no canto). pdf
Fairbanks G. Recent studies of fundamental vocal pitch in speech, 1940; e estudo de 1990 comparando frequência habitual e "ótima" em adultos jovens. link
Titze IR. Voice training and therapy with a semi-occluded vocal tract: rationale and scientific underpinnings. J Speech Lang Hear Res. 2006;49(2):448-59. doi
Hijleh K, Pinto C. A reflection on the research (SOVT; cita Maxfield et al., pressão intraoral de 13 gestos). Journal of Singing. 2021;77(3). pdf
ASHA. Losing your voice? Warning signs of voice disorders, 2026. link
Chorus America. Vocal strain: when to sing and when to give it a rest. link
Harries MLL et al. Changes in the male voice at puberty. Arch Dis Child. 1997;77(5):445-7; Cooksey JM, estágios da muda vocal (NAfME). link
de Cheveigné A, Kawahara H. YIN, a fundamental frequency estimator for speech and music. J Acoust Soc Am. 2002;111(4):1917-30.
Estudos de validação de F0 em smartphones, Journal of Voice (2022; crianças, 2025). link
Barreto TMM et al. Perfil da saúde vocal de cantores amadores de igreja evangélica. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(2):140-5.
Ji IS, Kim J. Voice range differences in vowels by voice classification among male students of popular music vocals. Phonetics and Speech Sciences. 2024;16(2):37-47. doi